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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Propriedade

Aqui dentro a poesia
Se contorce como um anjo
Caído nas graças
De si mesmo.

Meu verso é meu!

Cão perdido lambe a pata,
Late pros estranhos...
E todos são estranhos.

Meu verso é meu...


Quantos não feri
De um só golpe
Na minha luta por paz?

É meu...

Me ame
Ou te mato
Com as flores
Que te trouxe.

Meu...

Poeta burro!
Teus versos nada podem
Contra a dor de teus irmãos
Injustiçados.


Teu ídolo é um gênio
Incapaz de amarrar
Os cadarços.

Teu grito é alto
Mas tua voz é rouca
E mal se ouve lá de baixo.

Negas abrigo
A teus desafetos
Na esperança tola
De matá-los de fome

Sem saber que tua cama
É para os desgraçados
Leito de morte.


É sendo
Que se aprende a ser;

Amando
Que se aprende a amar.

Meu verso...
Toma!
Pode ficar.

Asseveração

Éramos jovens, astutos...
E de tanto procurar, achamos
A verdade absoluta.
A verdade é dissoluta.
A verdade é uma puta
Com as pernas sempre abertas.

"Certo, errado, errado, certo,
Errado, certo, certo, certo..."
Como, pois, decidiremos
Qual o tolo mais esperto?

Fica comigo, pequena...
Só mais um pouco!


Mais um pouco
E mais um pouco
E pouco a pouco
Vai ficando.

Não me deixe
Escolher sozinho
A cor do carpete,
O lado da cama,
Quantas gotas
De adoçante
No café.

Não sei da verdade.
Não quero saber.
Não me conte!


Narcisistas de uma figa!
Querem que eu seja bom.

Não! Prefiro ser estúpido.

Os bons marcham
Em linha reta.

São chamados heróis
Quando advogam
Causas próprias.

Cerram seus punhos
E dentes e mentes
E matam e morrem...

Por quê?


Só escrevo poemas...
Poemas, meu Deus!
Pra que servem?

Fica, pequena,
Mais um pouco.

E mais um pouco
E pouco a pouco

Vai ficando.

Tragédia De Um Sabe-Tudo

A vida
É um relógio parado.
Às vezes me desgasto
Tentando ver as horas

Mas não vejo nada.

Será que do outro lado
Algum desocupado
Ri da minha cara?

Quanta idiotice!
“A vida é um relógio...”
A porra de um relógio,
E nem sei o que marca.


Dizem que melhora
Com o passar do tempo,
Mas não é o tempo!
Sou eu quem passa.

domingo, 27 de setembro de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gente

Fui branco, fui preto
Mestiço, mulato...
Fui contraparente
Do ex-candidato.

Fui gordo, fui magro
Medroso, valente...
Fui considerado
Condescendente.

Fui homem, mulher
Patrão, empregado...
Embora inocente
Fui exonerado.


Fui santo, diabo
Incrédulo, crente...
Entre tantas coisas
Me falta ser gente.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sem-cabeça

A religiosidade
Não me diz respeito.
Estou mais interessado
No amor.

Essa coisa pueril
De que aprendo
Nas passagens do Novo
Testamento.

Esse monstro sem cabeça
Indomado.
Essa força imponderável
Sem limite.


É verdade
Que vocês, religiosos,
Esqueceram disso tudo
Há muito tempo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Recíproca

Não falta amor.
Falta pudor, falta coragem
E, por vezes, reciprocidade.

Amor não.
Pois não é sentimento,
É uma atitude.

Amor...
É o bom desempenho
Da tarefa de ser.


O resto é tolice.

sábado, 17 de maio de 2014

Conceito

O mundo estava pronto para mim
Mas resolvi tornar ao casulo
E completar meu amadurecimento.

Estaria eu pronto para o mundo?
Não sei, não saberei...
Não se sabe; apenas se supõe.

Todo e qualquer conceito
É feito de suposição,
E nenhum preconceito
É mais que pré-suposição.


Pressuponhamos
Que este engravatado
Queira, por falta de senso
Ou de ocupação,
Nos empatar o raciocínio
Para manter-se poderoso...

A culpa é minha? É tua?
É de nós todos?
Não sei, não saberei.
Não se sabe; apenas se supõe.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ganância

Todos são tolos,
Poucos têm louros
E os porcos como lobos

Devoram os tolos todos.