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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Cidade Borrada

Ah cidade!
Tens de triste
O que tens de bela.

Vejo-te à noite
Borrada...

De tua beleza
Quem faz caso?


Quem, cidade?

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Dilema Paterno

Entra, pequena
Sai do sereno
Vamos, Helena
Já pra dentro!

Conto uma estória
Ganho um sorriso
Faço de conta
Que sou sabido.

Quando adormece
Penso na vida.

O que acontece
Se ela duvida?


Se ela descobre
Que sou menino
Desesperado
E indeciso?

Que tenho medo
De bala perdida...

Às vezes sofro
De nostalgia
E me arrependo
De ter crescido

Mas eu a amo
Apesar disso.


O que helena
Não sabe ainda
E se soubesse
Jamais diria

É que o segredo
Mora escondido
Por entre balas
E pirulitos.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Cultivar

Faço as malas
Sem pretensão de partir.
Me despeço
Para não ir embora.

Reconheço
Que há vida lá fora,
Mas fico.
Pois gosto daqui.

Fico
Por causa das flores
Florindo
Na minha janela

Devo
Regá-las
Por elas.

Fico
Por causa
De mim

Que as amo
E as rego
Saudoso

Como quem já partiu...
Como quem nunca veio.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Poema

Arvoreceu
Em frente
Às janelas
De minh'alma

A beleza
Tinha rosto
Reluzente
E dançava.

Eu plantado
Logo à beira
Pude bem
Admirá-la

E escrevi
Esse poema
Que me serve
Para nada.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Instante

Teus olhos, querida,
Me dizem tanto!
Teus olhos ainda
Não dizem nada.

Apenas existo
Perante eles.
São como presságio
De morte.

Nunca tive medo
Da morte
Nem quis prolongar
Minha estada.

Só quero da vida
O instante
De olhar-te nos olhos.
Mais nada.

As Torres

Pobre rapaz!
Não lhe disseram
Que nacionalismo pobre
É masoquismo nobre.

(Não é bonito).

Que os pastos verdejantes,
Para quem não come grama,
São coisa de nenhum valor.

Três, seis, nove,
Doze torres
No cais


Não é bonito.


Não pintem minha cara dessa cor.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Da Aurora

Fazer as pazes, a barba, e sair.
Quem quer ouvir dos meus tempos de escola?
O sol nasce mais cedo na Rua da Aurora
Que é pra dar tempo de ser feliz.

Eu gosto da noite. Estou sempre indo embora,
Mas peço a Antônio que não se mate;
Agarre um sonho desses de fim de tarde.
O sol não se põe na Rua da Aurora.

De quantos em quantos dias o sol nasce?
Eu também não tenho ninguém.

De quantos em quantos meses
O sol nasce aqui?

De quantos em quantos anos o sol nasce
Aqui? Eu não tenho ninguém.


O sol tinha que se por pra poder nascer.

sábado, 21 de junho de 2014

Poema Mudo

Falo pouco
Penso mais que digo
Amo mais que sinto
Sinto mais que penso.

Dizer é complicado.
Meu pensamento é ligeiro
Amplo, vário...

O pensamento é imediato;
A palavra não.

A palavra há seu tempo.

E tudo se distorce
Tudo se destroça

Tudo se desfaz
E se refaz invento.
E diz-se antes e depois de dito.

Bendito seja o indizível
Pois o que é mal dito
Perde a beleza
E a clareza de sentido.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Impasse

A mesma musa
Me inspira os versos todos.
À mesma boca
Todo o meu impasse lírico.
À mesma moça
Meu afeto desmedido.

Tocar acordes
Sustenidos em seu corpo
Seria como
Dar ao texto algum sentido,

Como dar vida
A meu poema decomposto.


Admirar
Dalém das lentes o seu rosto,
Balbuciar
Refrães de jazz aos seus ouvidos...

Como trazer
Comigo, estampada em rosto,
A graça
De dez mil amantes tímidos.

Dez mil
Amantes faltos de juízo.
A brasa
De dez mil amores faltos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ocaso

Anoiteço de dia
Para amar sossegado.
O sol nasce atrasado
A beleza anda a pé.

O poeta no encalço
Assistindo-lhe os passos.
O sol é solitário
O poeta não é.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A Bossa

Não há bossa
Nos olhos do preso
No olhar de desprezo
No susto da presa

No choro escondido
Em um quarto no quinto
No cesto de lixo
No encesto, na cesta

De frutas de cera
Ou de cimento.
Sexta-feira treze
De conhecimento.

No moço que indaga:
“Qual é o preço?”
Depende do apreço
Depende da pressa

Do texto, contexto,
Pretexto, da testa
Enrugada e do texto
No testamento.

Do dia do enterro
Do aborrecimento
Da altura do queixo
De quem se queixa.

Há bossa no alento
Na tarde, no vento...
Há nova no ar puro
No cheiro da flor.

A bossa em apuros
É o sonho maduro
Sem graça, de graça,
Desgraça no amor.

A nota aos ouvidos
Do homem caído
É fogo amigo
Alivio à dor.

Dos velhos a casa
A morada, o nicho
O porto do vinho
O ninho, o pudor.

Dos moços a estrada
A arma, o hino
Angústia cantada
Com gosto, sorrindo.

Viola afinada
Tiro preciso
Zunido, zoada
Pra todo indeciso.

E a boa nova
De que narciso
Só mente pros outros;
É honesto consigo.

E a bossa nova
É a arte do riso.
Somente pros tolos
Amar é sofrido.